canalização

As mãos como raízes da alma

Há uma palavra que oiço muito em conversas espirituais — "o corpo é uma antena, captamos energia, transmitimos vibração". Não é errada, mas para mim soa fria. Antena é máquina. Tu não és máquina.

Quero partilhar contigo a metáfora que me veio a sentir, e que mudou a minha forma de praticar trabalho energético.

Imagina uma árvore

As raízes não estão à vista, mas é por onde a vida da árvore se entranha na terra. É por onde a árvore bebe, sustenta-se, respira por baixo. Sem raízes, o resto não acontece.

Em ti, é parecido — só que ao contrário.

As tuas mãos são as raízes da tua alma na matéria.

Os teus braços são as ramificações que partem do centro de ti e se espalham para o mundo. Várias direcções. Vários caminhos. Vários toques possíveis em cada hora do dia.

Por onde passa a tua alma

Pensa em tudo o que fazes com as mãos durante um dia:

  • Quando escreves uma mensagem a alguém
  • Quando cozinhas
  • Quando abraças um animal
  • Quando acaricias a cabeça de um filho ou de um pai
  • Quando seguras um copo de água
  • Quando plantas uma semente
  • Quando tocas um instrumento
  • Quando estendes a mão e tocas a casca de uma árvore

Tudo isso é a tua alma a entrar na matéria. Pelas raízes que são as tuas mãos.

Não é metáfora poética vazia. É descrição prática. Quando fazes algo com as mãos com presença consciente, estás literalmente a deixar a tua essência passar para a matéria.

Quando fazes a mesma coisa com pressa, distracção, frustração — também passa. Mas passa outra coisa. Pressa. Distracção. Frustração.

O coração é o centro

Antes de chegares às mãos, há o coração. O chacra cardíaco bombeia — não bombeia só sangue. Bombeia presença, sentir, intenção. A tua essência vem do centro de ti e expande-se pelo corpo todo.

Sobe à cabeça. Desce ao ventre. Estende-se pelos braços. Acaba nas pontas dos dedos.

Por isso, quando usares as mãos com consciência, lembra-te: a energia não nasce ali. A energia nasce no coração e flui pelas raízes para fora.

Inclui todos os corpos

Quando escrevo "as mãos" estou a falar de uma forma de sentir entre muitas. Há pessoas que não têm mãos. Há pessoas que não têm braços. Há pessoas que não veem. Isso não te impede de nada.

As raízes da alma também passam pelos pés que tocam o chão. Pelo rosto que apanha o vento. Pela respiração. Pelo sentido do som. Pela imaginação. Pelos olhos quando vês. Pela presença quando estás.

Se este texto for sobre mãos e tu não tens essa via, adapta. A alma encontra o seu caminho. Sempre.


Uma prática simples para esta semana

Escolhe uma actividade quotidiana — pode ser lavar a louça. Sim, lavar a louça.

Por uma semana, todos os dias, durante esta tarefa:

  • Repara nas tuas mãos
  • Sente a água, a temperatura, a textura
  • Não estás a "passar tempo" — estás a deixar a tua alma passar pelas mãos para limpar este pequeno pedaço de matéria
  • Termina dizendo (para dentro): "obrigado, mãos."

Vais notar uma coisa estranha: a tarefa torna-se mais lenta, mas também menos pesada. Isto é o sentido de fazer com presença.


Frase para levares contigo

Eu sou um canal vivo. As minhas mãos são as raízes da minha alma nesta matéria. Por elas passa o que ressoa comigo. Confio no meu sentir.


Este é um extracto do capítulo 9 do livro Aterra em Ti — Um Guia do Despertar Consciente. Se ressoou, o livro completo tem 20 capítulos com práticas e canalizações como esta.

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