Deixa Fluir o Amor — cura e criança interior
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Esta foi a segunda canção. Veio poucos dias depois da primeira. A diferença foi grande.
A primeira era uma promessa para mim. A segunda foi um convite para alguém — não dirigido a ninguém em particular, e por isso dirigido a toda a gente que ressoar.
A letra
Com amor e alma cura-me e cura-te No teu olhar de criança há luz a surgir Atento à mudança que vive em ti Como é bom ver-te sorrir
A primeira linha é a tese da canção: curarmo-nos faz-se a dois.
Não literalmente "a dois pessoas amorosamente envolvidas" — a dois pode ser tu e um amigo. Tu e um animal. Tu e a natureza. Tu e o teu próprio reflexo num momento de presença.
A cura solitária existe — mas é incompleta. Há partes nossas que só se curam quando outra consciência se aproxima com amor real.
"No teu olhar de criança"
A segunda linha — "no teu olhar de criança há luz a surgir" — é uma observação concreta.
Quando alguém te olha sem agenda, sem julgamento, sem máscara — há luz literal nos olhos dessa pessoa. Os olhos abrem-se mais. Pupilas dilatam. Pele à volta dos olhos relaxa.
A linguagem que usamos é "olhar de criança" porque é estado raro em adultos. Vejo-o na Sónia quando estamos em paz. Vejo-o em animais. Vejo-o em momentos de pessoas que estão a contar-me algo que sentem profundamente.
Esse olhar é cura. É reconhecer no outro o que ele esqueceu de si.
O refrão — núcleo da canção
Deixa fluir o amor que há em ti É de verdade, veio pra ficar aqui Neste corpo, neste lugar Tudo é real, basta acreditar
Note a estrutura: não digo "ama mais" ou "abre o coração" — frases que pedem acção esforçada.
Digo "deixa fluir". É verbo passivo. Estás a parar de bloquear algo que já existe em ti. Não tens de criar o amor — tens de deixar de o estancar.
A maioria das pessoas que se sente "incapaz de amar" não está realmente incapaz — está só a bloquear o que sente. Por medo. Por feridas antigas. Por programação. Por crença que não merece.
Tu já tens em ti tudo o que precisas para amar. A pergunta é: estás disponível para o deixar fluir?
"É de verdade, veio pra ficar"
É de verdade, veio pra ficar aqui Neste corpo, neste lugar
A música insiste: o amor é real, está no corpo, está no lugar.
Não é abstracto. Não é "amor universal cósmico" que paira no éter. É amor real, encarnado, materializado.
Em ti. No teu corpo. Neste lugar físico onde te encontras.
E veio pra ficar. Não é momento. É estado disponível para sempre.
"Basta acreditar"
Tudo é real, basta acreditar
Esta frase pode soar a cliché. Mas há uma camada que quero descodificar.
"Acreditar" aqui não é "ter fé sem evidência". É o seu oposto: acreditar no que já estás a sentir. Confiar no teu próprio sentir.
Sentes amor pela tua mãe — mesmo quando ela te frustra? Acredita. Sentes algo bonito por aquele desconhecido na rua que sorriu para ti? Acredita. Sentes amor que ainda não consegues nomear? Acredita.
A maioria das pessoas duvida do que sente porque foi treinada a duvidar. A canção pede o oposto. Sente. Confia. Deixa fluir.
"Vieste ao mundo pra ser feliz"
Deixa fluir o amor que há em ti É de verdade veio pra ficar aqui Confia em ti, sente e sorri Vieste ao mundo pra ser feliz
A última frase do refrão é a afirmação mais ousada da canção: vieste ao mundo para ser feliz.
Em culturas que tendem a glorificar o sofrimento, o sacrifício, a "luta" — esta frase pode soar irresponsável. "Mas e os problemas? Mas e os outros que sofrem?"
A minha resposta: só quem está em paz consigo próprio consegue genuinamente ajudar quem sofre. Quem se sacrifica até esgotar acaba a ressentir o sacrifício e a transmitir essa frequência aos outros.
Ser feliz não é egoísmo. É a base sustentável para tudo o resto.
Uma prática que sai desta canção
Esta semana — uma vez, durante o dia, em silêncio:
- Pousa a mão no peito
- Respira fundo três vezes
- Diz mentalmente: "Eu deixo fluir o amor que há em mim."
- Não tentes amar nada nem ninguém específico. Apenas deixa.
- Sente o que vem (ou não vem)
Repete uma vez por dia se ressoar. Em 3-4 dias, vais notar algo subtil a mudar — não no exterior, em ti.
A canção é só catalisador. O trabalho real é teu.
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Esta é a segunda canção do projecto yoursouldances. Se ressoou contigo, há mais 7 publicadas para ouvir.
Pedro Branco · 29 Maio 2026
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